Toda noite de verão no Brasil, três estrelas brilhantes aparecem alinhadas no céu, igualmente espaçadas, como se alguém tivesse passado uma régua. São as Três Marias — provavelmente o grupo de estrelas mais reconhecido pelos brasileiros depois do Cruzeiro do Sul.
O que são, de verdade
As Três Marias são o Cinturão de Órion: três estrelas chamadas Alnitak, Alnilam e Mintaka. Elas não formam uma constelação própria — são parte de Órion, o Caçador, uma das maiores e mais bonitas do céu. O alinhamento quase perfeito é uma coincidência de perspectiva: as três estão a distâncias bem diferentes da Terra (de 700 a 2.000 anos-luz), só parecem enfileiradas vistas daqui.
Quando e onde olhar
Do Brasil, Órion domina as noites de novembro a março, alto no céu depois que escurece. Procure três estrelas de brilho parecido, numa linha curta e inclinada. Depois que você acha as Três Marias uma vez, não desaprende — é o ponto de referência mais fácil do céu de verão. Vale conferir a fase da Lua antes: Lua cheia lava o céu e apaga as estrelas mais fracas em volta.
A régua que aponta pra tudo
As Três Marias são uma bússola estelar. Prolongue a linha das três para baixo (no sentido de Mintaka) e você chega em Sírius, a estrela mais brilhante de todo o céu noturno, no Cão Maior. Para o outro lado, a linha aponta para Aldebaran, o olho alaranjado do Touro, e mais além, o aglomerado das Plêiades.
O tesouro escondido: a Nebulosa de Órion
Logo abaixo do cinturão pende a "espada" de Órion — mais três pontinhos. O do meio não é bem uma estrela: é a Nebulosa de Órion (M42), um berçário de estrelas a 1.300 anos-luz, visível a olho nu de um céu escuro como uma manchinha difusa. Num binóculo simples ela ganha forma; num telescópio, vira um dos espetáculos do céu. Veja como observar a M42.
Completam o desenho Betelgeuse, a supergigante avermelhada no ombro de Órion — tão grande que, no lugar do Sol, engoliria a órbita de Marte —, e Rigel, o pé azul-branco.
De ponta-cabeça
Um detalhe pra quem viaja: do hemisfério sul, Órion aparece "de cabeça pra baixo" em relação ao que se vê na Europa ou nos EUA — a espada aponta pra cima. Não é erro, é a perspectiva de quem olha o mesmo céu do outro lado do globo. É também por isso que o céu do sul tem vantagens que o norte não tem.
Sem misticismo
As Três Marias rendem muita simbologia, mas no céu são o que são: três sóis gigantes a centenas de anos-luz que, por acaso, se alinham na nossa linha de visada. Bonito o bastante sem precisar de significado oculto. Quer ir além de Órion? Veja todas as constelações que dá pra acompanhar do Brasil.
