Pular para o conteúdo
Céu do Sul
Observação01 de junho de 20262 min de leitura

As Três Marias e a constelação de Órion: como achar

Três estrelas em fila que todo brasileiro já viu — e que são a porta de entrada pra uma das regiões mais ricas do céu.

As Três Marias e a constelação de Órion: como achar
As Três Marias e a constelação de Órion: como acharCrédito: NASA/JPL-Caltech

Toda noite de verão no Brasil, três estrelas brilhantes aparecem alinhadas no céu, igualmente espaçadas, como se alguém tivesse passado uma régua. São as Três Marias — provavelmente o grupo de estrelas mais reconhecido pelos brasileiros depois do Cruzeiro do Sul.

O que são, de verdade

As Três Marias são o Cinturão de Órion: três estrelas chamadas Alnitak, Alnilam e Mintaka. Elas não formam uma constelação própria — são parte de Órion, o Caçador, uma das maiores e mais bonitas do céu. O alinhamento quase perfeito é uma coincidência de perspectiva: as três estão a distâncias bem diferentes da Terra (de 700 a 2.000 anos-luz), só parecem enfileiradas vistas daqui.

Quando e onde olhar

Do Brasil, Órion domina as noites de novembro a março, alto no céu depois que escurece. Procure três estrelas de brilho parecido, numa linha curta e inclinada. Depois que você acha as Três Marias uma vez, não desaprende — é o ponto de referência mais fácil do céu de verão. Vale conferir a fase da Lua antes: Lua cheia lava o céu e apaga as estrelas mais fracas em volta.

A régua que aponta pra tudo

As Três Marias são uma bússola estelar. Prolongue a linha das três para baixo (no sentido de Mintaka) e você chega em Sírius, a estrela mais brilhante de todo o céu noturno, no Cão Maior. Para o outro lado, a linha aponta para Aldebaran, o olho alaranjado do Touro, e mais além, o aglomerado das Plêiades.

O tesouro escondido: a Nebulosa de Órion

Logo abaixo do cinturão pende a "espada" de Órion — mais três pontinhos. O do meio não é bem uma estrela: é a Nebulosa de Órion (M42), um berçário de estrelas a 1.300 anos-luz, visível a olho nu de um céu escuro como uma manchinha difusa. Num binóculo simples ela ganha forma; num telescópio, vira um dos espetáculos do céu. Veja como observar a M42.

Completam o desenho Betelgeuse, a supergigante avermelhada no ombro de Órion — tão grande que, no lugar do Sol, engoliria a órbita de Marte —, e Rigel, o pé azul-branco.

De ponta-cabeça

Um detalhe pra quem viaja: do hemisfério sul, Órion aparece "de cabeça pra baixo" em relação ao que se vê na Europa ou nos EUA — a espada aponta pra cima. Não é erro, é a perspectiva de quem olha o mesmo céu do outro lado do globo. É também por isso que o céu do sul tem vantagens que o norte não tem.

Sem misticismo

As Três Marias rendem muita simbologia, mas no céu são o que são: três sóis gigantes a centenas de anos-luz que, por acaso, se alinham na nossa linha de visada. Bonito o bastante sem precisar de significado oculto. Quer ir além de Órion? Veja todas as constelações que dá pra acompanhar do Brasil.

Publicado em 01 de junho de 2026. Conteúdo editorial do Céu do Sul — dados astronômicos sempre de fontes oficiais.