Catálogo Messier
Em 1771, o astrônomo francês Charles Messier publicou uma lista de objetos "que parecem cometas mas não são" — para que outros caçadores de cometas não os confundissem. O catálogo final tem 110 objetos: nebulosas, aglomerados estelares e galáxias, quase todos visíveis do hemisfério norte ou ao redor do equador celeste, com binóculo ou telescópio amador.
Do Brasil, a maior parte do catálogo é alcançável — alguns objetos do extremo norte (como M81 e M82) ficam baixos no horizonte, enquanto os do equador celeste (Órion, Touro, Sagitário) passam diretamente sobre nossas cabeças.
Os mais famosos
M31 — Galáxia de Andrômeda
Andromeda · Norte
A galáxia espiral mais próxima da Via Láctea, a 2,5 milhões de anos-luz — o objeto mais distante visível a olho nu da Terra. Vai colidir com a Via Láctea em ~4,5 bilhões de anos.
Como observar
Do Brasil aparece baixa no horizonte norte entre setembro e janeiro. Visível a olho nu em céu escuro como uma 'mancha difusa' — em binóculo, ocupa 3° de céu.
Fonte: NASA · ESA HST
Ver ficha →M42 — Nebulosa de Órion
Orion · Equatorial
Berçário estelar a 1.344 anos-luz, na 'espada' de Órion. Visível a olho nu como uma mancha difusa na 'estrela do meio' da espada.
Como observar
Visível do Brasil entre dezembro e abril, alta no céu. Binóculo 7×50 já mostra a estrutura nebular; telescópio amador revela o Trapézio (4 estrelas centrais).
Fonte: NASA · ESA HST
Ver ficha →M45 — Plêiades (Sete Irmãs)
Taurus · Equatorial
Aglomerado aberto jovem (cerca de 100 milhões de anos) a 444 anos-luz. Tem mais de mil estrelas, mas só 6-9 são visíveis a olho nu.
Como observar
Do Brasil aparece a partir de outubro, alta no céu em dezembro-janeiro. A olho nu é o melhor: parece uma 'mini Ursa' azulada — binóculo mostra dezenas de estrelas.
Fonte: NASA · ESO
Ver ficha →M13 — Aglomerado de Hércules
Hercules · Norte
Um dos aglomerados globulares mais brilhantes do hemisfério norte, com cerca de 300.000 estrelas a 25.000 anos-luz.
Como observar
Do Brasil aparece relativamente baixo entre maio e setembro. Binóculo já o mostra como mancha; telescópio de 100 mm+ resolve estrelas individuais.
Fonte: NASA · HST
Ver ficha →M8 — Nebulosa da Lagoa
Sagittarius · Equatorial
Nebulosa de emissão a 4.100 anos-luz, na direção do centro da Via Láctea. Berçário estelar ativo, com cerca de 110 anos-luz de extensão.
Como observar
Do Brasil aparece bem alta no inverno (junho-setembro). Em binóculo 10×50 já é visível como mancha alongada; telescópio amador mostra a 'faixa escura' que dá o nome.
Fonte: NASA · ESO
Ver ficha →M51 — Galáxia do Redemoinho
Canes Venatici · Norte
Par interagente de galáxias a 31 milhões de anos-luz — a espiral M51a e a companheira NGC 5195. Modelo clássico de braços espirais bem definidos.
Como observar
Do Brasil aparece baixa, melhor entre abril e julho. Precisa de céu escuro e telescópio de 150 mm+ para ver os braços espirais.
Fonte: NASA · ESA HST
Ver ficha →Tipos no catálogo
Dos 110 objetos do catálogo, cerca de 40 são galáxias (incluindo Andrômeda e o Redemoinho), 29 são aglomerados globulares (Hércules, Tucana 47), 27 são aglomerados abertos (Plêiades, Presépio), e 14 são nebulosas (Órion, Lagoa, Trífida).
Catálogo oficial: SEDS Messier Database. As fichas dos demais objetos do catálogo entram nas próximas fases.